<ESCRITORA LANÇA SEU SEGUNDO LIVRO, PRIMEIRAMENTE EM BRAILLE>

 

 

 

 

 

 

ESCRITORA LANÇA SEU SEGUNDO LIVRO, PRIMEIRAMENTE EM BRAILLE

 


Gisele Pecchio Dias

Em palestra gratuita na Biblioteca Francisco Pati, da Prefeitura de São Paulo, dia 13 de agosto, às 14 horas, a jornalista Gisele Pecchio Dias lança o segundo livro da Coleção Toby, intitulado “Toby e os mistérios da Floresta”. A escritora fará primeiro o lançamento da edição em Braille. A edição em tinta sairá em outubro. “Farei a inclusão dos leitores videntes depois”, afirma Gisele, sorrindo. A história conta as aventuras do cão Toby e do menino índio Ypê em viagem aérea pela Mata Atlântica Brasileira. Alunos do Instituto de Cegos Padre Chico foram os primeiros a ouvir, a ler e a opinar sobre a história. Como já é próprio do seu estilo de trabalho, a autora publicou os comentários dos alunos no livro. Ela entende que “esta é uma forma de incentivar o gosto pela leitura e a formação de leitores críticos, invés de consumidores passivos de informação ditada pela agenda setting da grande mídia”. Nesta entrevista, exclusiva à Revista Noção, ela explica a sua missão.

Revista Noção: Conte-nos um pouco de sua trajetória enquanto jornalista e escritora.

Gisele P. Dias: Sou jornalista profissional diplomada, com especialização em comunicação empresarial. De 1984 a 92 trabalhei como assessora de imprensa e editora de publicações na área financeira. Fui a primeira jornalista do quadro de funcionários do Bradesco a implementar serviços de assessoria de imprensa na organização. Comecei na Fundação Bradesco-Pecplan, antes de ser designada para trabalhar na diretoria de Marketing do banco. Depois respondi pela comunicação interna do Banco Francês e Brasileiro, hoje Itaú Personnalité, onde lancei a revista Franjour, publicação mensal editada por mim.

Durante dez anos atuei como jornalista na área de engenharia de manutenção, tendo respondido pela divulgação à imprensa dos mais importantes fóruns e seminários do setor, com ênfase na área de softwares de manutenção industrial. Em 1994 classifiquei-me em primeiro lugar em concurso público para o cargo de jornalista na Prefeitura de Osasco, onde trabalho em regime de tempo parcial, tendo respondido pela assessoria de imprensa e edição de várias publicações, com ênfase ao Jornal da Saúde e ao Jornal da Educação, trabalhos pioneiros.

A escritora surgiu do exercício da observação apurada, própria dos jornalistas. Quando vi o cão Toby apostando corrida na praia com os seus amigos pássaros reconheci naquele cãozinho genérico o protagonista de uma história. Poderia ter feito uma notícia, mas isso não é novidade para mim, que exerço a profissão de jornalista há mais de vinte anos, tendo trabalhado, no início da carreira, como repórter free lancer da Folhinha, suplemento infantil da Folha de S. Paulo, então editado pela jornalista Cecília Zioni. Decidi utilizar a narrativa literária e escrever em prosa, para crianças de todas as idades.

R. N.: O que lhe motivou a partir para a literatura infanto-juvenil e não para a adulta?

Gisele: Escrever para o público infantil é outro desafio para mim que sempre escrevi para adultos. Além deste novo aprendizado, há o privilégio do convívio com as crianças. Outro fator de motivação é saber que estou dando a minha contribuição para incentivar a leitura infantil. Nesse processo, busco valorizar o livro enquanto mídia capaz de promover a democratização da informação, incentivando leitores críticos e desestimulando o consumo passivo de informações, comum na grande mídia.

R. N.: Você é autora do livro Um Par de Asas para Toby. Fale mais sobre o enredo do livro e de onde surgiu a idéia de produzi-lo?

Gisele: É a história real de um cão e seus amigos pássaros que habitam as matas da Serra dos Itatins, um dos mais bonitos locais da Floresta Atlântica. Observando a amizade que havia entre o cachorro e os pássaros, que apostavam corrida na praia todos os dias, nos mesmos horários, percebi que ali estava o enredo de uma história que se consolidou quando resolvi investigar a vida do cachorro. Descobri que ele morava numa casa pobre, sem televisão na sala e carro na garagem, mas passeava de carro na praia com os turistas, que iam buscá-lo em casa e ainda pagavam sorvete de chocolate para ele. Um vira-lata querido por todos. Graças à sua capacidade de se relacionar e fazer amigos ele foi salvo da morte quando capturado pela carrocinha.

 

                

 

 

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